Obras de Allan Kardec: todas elas FUNDAMENTAIS.

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domingo, 24 de julho de 2011

O Espiritismo é uma religião? Programa dos dias 24 e 27 de julho de 2011


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# Allan Kardec - fundador do Espiritismo, escolhido pelo Espírito de Verdade para ser o Seu intérprete na Terceira Revelação - sempre foi categórico em asseverar que o espiritismo não é uma religião, senão vejamos:

# “À primeira questão – o Espiritismo é uma religião? – respondem os espíritas: Não; o Espiritismo não é uma religião, nem pretende ser uma religião”.

KARDEC, Allan: “Carta do Sr. Dombre a um Pregador.” A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano V, Setembro de 1862. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. p. 362.

# “Quereis, a todo custo, promover o Espiritismo à categoria de uma religião! Notai que ele jamais teve essa pretensão. [...]

[...]De tanto gritarem que é uma religião, as pessoas acabarão por crer”.

KARDEC, Allan: “Dissertações Espíritas – Os mártires do Espiritismo”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano V, abril de 1862. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. p. 175.

# "Mais bem observado depois que se vulgarizou, o Espiritismo vem derramar luz sobre grande número de questões, até hoje insolúveis ou mal compreendidas. Seu verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião".

Kardec, Allan. O Que é o Espiritismo. Capítulo I, Terceira conversação: O Padre. Tradução Albertina Escudeiro Sêco. 3. Ed. Rio de Janeiro: CELD, 2010. p. 112.

# "Eis por que, sem ser uma religião, o Espiritismo se prende essencialmente às idéias religiosas, desenvolve-as naqueles que não as possuem, fortifica-as nos que as têm incertas".

Kardec, Allan. O Que é o Espiritismo. Capítulo I, Terceira conversação: O Padre. Tradução Albertina Escudeiro Sêco. 3. Ed. Rio de Janeiro: CELD, 2010. p. 133.

# “O Espiritismo é uma Ciência ou, melhor dizendo, uma Filosofia espiritualista, que ensina a moral. “Não é uma Religião, pois não tem dogmas, nem culto, nem sacerdotes, nem artigos de fé; é mais que uma filosofia, porque sua doutrina é estabelecida sobre a prova certa da imortalidade da alma”.

KARDEC, Allan: “O Espiritismo Segundo os Espíritas”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano IX, Fevereiro de 1866. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. p. 56-7.

# “Não é uma seita política, como não se trata de uma seita religiosa; é a constatação de um fato que não pertence mais a um partido do que a eletricidade e as estradas de ferro; é, insisto, uma doutrina moral, e a moral está em todas as religiões, em todos os partidos”.

KARDEC, Allan: “Discurso do Sr. Allan Kardec”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano IV, Outubro de 1861. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. p. 437.

# “O Espiritismo, portanto, longe de ser o antagonista da religião, é o seu auxiliar; e a prova é que conduz às idéias religiosas os que as haviam repelido. Em resumo, jamais o Espiritismo aconselhou a mudança de religião, nem o sacrifício de suas crenças; não pertence particularmente a nenhuma religião, ou, melhor dizendo, está em todas elas”

KARDEC, Allan: “Discurso do Sr. Allan Kardec”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano IV, Outubro de 1861. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. p. 438.

# Pergunta: Pode-se esperar o estabelecimento de uma religião universal? Resp. – Não; não no nosso planeta, ou, pelo menos, não antes que tenha feito progressos. Por enquanto, milhares e milhares de gerações ainda não o verão.

KARDEC, Allan: “A lei de Moisés e a lei do Cristo”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano IV, março de 1861. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. p. 144-5.

# O Espiritismo é uma opinião, uma crença; mesmo que fosse uma religião, por que não se teria a liberdade de dizer que se é espírita, como se tem a de dizer que se é católico, judeu ou protestante, partidário desta ou daquela doutrina filosófica, deste ou daquele sistema econômico?

Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XXVIII, Preces Espíritas, item 51, Prefácio. Tradução Albertina Escudeiro Sêco. 1. Ed. Rio de Janeiro: CELD, 2008. p. 280.

# “Deixemos, pois, que os zombeteiros riam à vontade, visto ser isso que lhes apraz; fá-lo-ão à custa do espírito. Riem bastante da religião: por que não haveriam de rir do Espiritismo, que é apenas uma ciência?”

KARDEC, Allan: ”Diatribe”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano II, março de 1859. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. p. 102.

# “Intitulais vosso artigo: “Uma nova religião em Paris”. Admitindo que tal fosse, com efeito, o caráter do Espiritismo, aí haveria um primeiro erro, considerando-se que ele está longe de circunscrever-se a Paris. Conta milhões de aderentes espalhados nas cinco partes do mundo e Paris não foi o foco primitivo. Em segundo lugar, o Espiritismo é uma religião? Fácil é demonstrar o contrário”.

KARDEC, Allan: ”Refutação de um Artigo do ‘Univers’. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano II, maio de 1859. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. p. 205.

# "Quereis a todo custo que o Espiritismo seja uma seita, quando ele não aspira senão ao título de ciência moral e filosófica, respeitando todas as crenças sinceras”.

KARDEC, Allan: “A ‘Bibliografia Católica’ Contra o Espiritismo”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano IV, janeiro de 1861. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. p. 31.

# “O Espiritismo, sendo independente de qualquer forma de culto, não prescrevendo nenhum deles, não se ocupando de dogmas particulares, não é uma religião especial, pois não tem nem seus padres nem seus templos”.

Kardec, Allan. O Espiritismo em sua Expressão Mais Simples e Outros Opúsculos de Kardec. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2006. p. 36.

# “O Espiritismo vem, por sua vez, não como uma religião, mas como doutrina filosófica, trazer a sua teoria, apoiada no fato das manifestações”.

KARDEC, Allan: “Conseqüências da Doutrina da Reencarnação sobre a Propagação do Espiritismo”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano V, abril de 1862. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. p. 154.

# “Se o Espiritismo tem meios de dissipar dúvidas que a religião é incapaz de destruir, é porque oferece recursos que a religião não possui, pois, do contrário, não haveria um só incrédulo na religião católica”.

KARDEC, Allan: “Segunda Carta ao Padre Marouzeau”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano VI, setembro de 1863. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. p. 375.

# “Quem primeiro proclamou que o Espiritismo era uma religião nova, com seu culto e seus sacerdotes, senão o clero? Onde se viu, até agora, o culto e os sacerdotes do Espiritismo? Se algum dia tornar-se uma religião, é o clero que o terá provocado”.

KARDEC, Allan: “Reclamação do Abade Barricand”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano VII, julho de 1864. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. p. 270.

# “Nas reuniões espíritas, a prece predispõe ao recolhimento, à gravidade, condição indispensável, como se sabe, para as comunicações sérias. Significa dizer que devem ser transformadas em assembleias religiosas? Absolutamente. O sentimento religioso não é sinônimo de sectário de uma religião; deve-se mesmo evitar o que poderia dar às reuniões este último caráter. É com esse objetivo que temos desaprovado constantemente as preces e os símbolos litúrgicos de um culto qualquer. Não se deve esquecer que o Espiritismo tem em vista a aproximação das diversas comunhões;”

KARDEC, Allan: “Considerações Sobre a Prece no Espiritismo”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano IX, janeiro de 1866. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. p. 21.

# “O Espiritismo é uma doutrina filosófica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas, não é uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templos e que, entre os seus adeptos, nenhum tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo-sacerdote. Estes qualificativos são de pura invenção da crítica”.

KARDEC, Allan: “Ligeira Resposta aos Detratores do Espiritismo”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano XII, setembro de 1869. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 1. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. p. 359.

#  “O Espiritismo é uma doutrina moral que fortalece os sentimentos religiosos em geral e se aplica a todas as religiões; é de todas, e não pertence a nenhuma em particular. Por isso não aconselha a ninguém que mude de religião”.

KARDEC, Allan: “Resposta dirigida aos Espíritas Lioneses por ocasião do Ano-Novo”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano V, fevereiro de 1862. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. p. 63.

# “Porque, meus Senhores, o Espiritismo não é uma religião, mas uma ciência, da qual apenas conhecemos o abecê”.

Flammarion, Camille: “O Espiritismo e a Ciência”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano XII, maio de 1869. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 1. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. p. 199.

# “A solução desta questão não toca apenas de maneira acessória o Espiritismo, que não deve preocupar-se com dogmas particulares de tal ou qual religião. Simples doutrina filosófica, não se apresenta como campeão, nem como adversário sistemático de nenhum culto, deixando a cada um a sua crença”.

KARDEC, Allan: “Caráter da Revelação Espírita”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano X, setembro de 1867. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 1. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. p. 377.

# "O Espiritismo é uma religião?"
 
Por Allan Kardec

[...] "O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade,  ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como conseqüência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas. É nesse sentido que também se diz: a religião da amizade, a religião da família.

Se é assim, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores! No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos vangloriamos por isto, porque é a Doutrina que funda os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza.
Por que, então, temos declarado que o Espiritismo não é uma religião?
Em razão de não haver senão uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; porque desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem.
Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí mais que uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a opinião se levantou.

Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado.

Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.

As reuniões espíritas podem, pois, ser feitas religiosamente, isto é, com o recolhimento e o respeito que comporta a natureza grave dos assuntos de que se ocupa; pode-se mesmo, na ocasião, aí fazer preces que, em vez de serem ditas em particular, são ditas em comum, sem que, por isto, sejam tomadas por assembleias religiosas.

Não se pense que isto seja um jogo de palavras; a nuança é perfeitamente clara, e a aparente confusão não provém senão da falta de uma palavra para cada idéia.

Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas?

Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória.
Qual o sentimento no qual se deve confundir todos os pensamentos?
É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para com todos ou, em outras palavras: o amor do próximo, que compreende os vivos e os mortos, pois sabemos que os mortos sempre fazem parte da Humanidade.
A caridade é a alma do Espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.” [...]
[...] “Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na eqüitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes efuturos, encarnados e desencarnados; considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterno; aceitar corajosamente as provações, em vista de um futuro mais invejável que o presente; praticar a caridade em pensamentos, em palavras e obras na mais larga acepção do termo; esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando toda imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre-exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus.

É o laço que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal.

Com a fraternidade, filha da caridade, os homens viverão em paz e se pouparão males inumeráveis, que nascem da discórdia, por sua vez filha do orgulho, do egoísmo, da ambição, da inveja e de todas as imperfeições da Humanidade.

O Espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso para a sua felicidade aqui na Terra, porque lhes ensina a se contentarem com o que têm.

Que os espíritas sejam, pois, os primeiros a aproveitar os benefícios que ele traz, e que inaugurem entre si o reino da harmonia, que resplandecerá nas gerações futuras.” [...]

Discurso de Allan Kardec na Sessão Anual Comemorativa do dia dos Mortos, Sociedade de Paris, 1o de novembro de 1868

Título: O Espiritismo é uma religião?

Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Ano XI, dezembro de 1868. Tradução Evandro Noleto Bezerra: FEB, 2005; p. 491-5

domingo, 17 de julho de 2011

Médiuns sérios, seguros e moralizados podem ser instrumentos dos maus espíritos?

O LIVRO DOS MÉDIUNS
CAPÍTULO XX
Allan Kardec
. 
9a) Qual seria o médium que se poderia chamar de perfeito?

“Perfeito, que pena! Sabeis bem que a perfeição não existe na Terra, sem, isto, não estaríeis nela; dize, portanto, bom médium e já é muito, pois eles são raros.

O médium perfeito seria aquele sobre o qual os maus Espíritos jamais teriam ousado fazer uma tentativa para enganá-lo; o melhor é aquele que, simpatizando somente com bons Espíritos, tem sido enganado menos frequentemente.”

10a) Se ele só simpatiza com bons Espíritos, como podem permitir que ele seja enganado?

Os bons Espíritos o permitem, algumas vezes, com os melhores médiuns, para lhes exercitar o bom-senso e lhes ensinar a discernir o verdadeiro do falso; e, depois, por melhor que seja o médium, ele nunca é tão perfeito que não possa ser atacado pelo seu lado fraco; isto deve servir-lhe de lição. As falsas comunicações que ele recebe, de tempos em tempos, são advertências para que não se considere infalível e não se envaideça; pois o médium que obtém as coisas mais notáveis não tem que vangloriar-se, tanto quanto o tocador de realejo, que produz belas árias, movendo a manivela de seu instrumento.”

LUCAS (O EVANGELHO SEGUNDO), CAPÍTULO 4 : VERSÍCULO 14 – Jesus Inaugura sua pregação (Programa de 17 e 20 de Julho/2011)

O NOVO TESTAMENTO - TRADUÇÃO "BÍBLIA DE JERUSALÉM" - O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS

MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILÉIA

Jesus Inaugura sua pregação

14 Jesus voltou então para a Galiléia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

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 # "O Espiritismo é uma religião?"
Por Allan Kardec

[...] “Por que, então, temos declarado que o Espiritismo não é uma religião?

Em razão de não haver senão uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; porque desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem.

Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí mais que uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a opinião se levantou.

Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado.

Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.

As reuniões espíritas podem, pois, ser feitas religiosamente, isto é, com o recolhimento e o respeito que comporta a natureza grave dos assuntos de que se ocupa; pode-se mesmo, na ocasião, aí fazer preces que, em vez de serem ditas em particular, são ditas em comum, sem que, por isto, sejam tomadas por assembleias religiosas.

Não se pense que isto seja um jogo de palavras; a nuança é perfeitamente clara, e a aparente confusão não provém senão da falta de uma palavra para cada idéia.

Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas?

Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória.

Qual o sentimento no qual se deve confundir todos os pensamentos?

É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para com todos ou, em outras palavras: o amor do próximo, que compreende os vivos e os mortos, pois sabemos que os mortos sempre fazem parte da Humanidade.

A caridade é a alma do Espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.” [...]

[...] “Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na eqüitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes efuturos, encarnados e desencarnados; considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterno; aceitar corajosamente as provações, em vista de um futuro mais invejável que o presente; praticar a caridade em pensamentos, em palavras e obras na mais larga acepção do termo; esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando toda imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre-exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus.

É o laço que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal.

Com a fraternidade, filha da caridade, os homens viverão em paz e se pouparão males inumeráveis, que nascem da discórdia, por sua vez filha do orgulho, do egoísmo, da ambição, da inveja e de todas as imperfeições da Humanidade.

O Espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso para a sua felicidade aqui na Terra, porque lhes ensina a se contentarem com o que têm.

Que os espíritas sejam, pois, os primeiros a aproveitar os benefícios que ele traz, e que inaugurem entre si o reino da harmonia, que resplandecerá nas gerações futuras.” [...]

Discurso de Allan Kardec na Sessão Anual Comemorativa do dia dos Mortos, Sociedade de Paris, 1o de novembro de 1868

Título: O Espiritismo é uma religião?

Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Ano XI, dezembro de 1868. Tradução Evandro Noleto Bezerra: FEB, 2005; p. 491-5.

domingo, 26 de junho de 2011

LUCAS (O EVANGELHO SEGUNDO), CAPÍTULO 4 : VERSÍCULO 13 – RECAPITULANDO AS TENTAÇÕES NO DESERTO (Programa de 26 e 29 de Junho/2011)

O NOVO TESTAMENTO - TRADUÇÃO "BÍBLIA DE JERUSALÉM" - O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS

 MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILÉIA

Jesus Inaugura sua pregação

14 [Jesus voltou então para a Galiléia], com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

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 Qual a fundamentação que justificaria a existência de revelações históricas e bíblicas através da mediunidade segura de Francisco Cândido Xavier?

Encontraremos em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de ALLAN KARDEC, a explicação necessária:

Pergunta 627 de O Livro dos Espíritos. Uma vez que Jesus ensinou as verdadeiras leis de Deus, qual a utilidade do ensino que os Espíritos dão? Terão que nos ensinar mais alguma coisa?

“Jesus empregava amiúde, na sua linguagem, alegorias e parábolas, porque falava de conformidade com os tempos e os lugares. Faz-se mister agora que a verdade se torne inteligível para todo mundo. Muito necessário é que aquelas leis sejam explicadas e desenvolvidas, tão poucos são os que as compreendem e ainda menos os que as praticam. A nossa missão consiste em abrir os olhos e os ouvidos a todos, confundindo os orgulhosos e desmascarando os hipócritas: os que vestem a capa da virtude e da religião, a fim de ocultarem suas torpezas. O ensino dos Espíritos tem que ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão. Estamos incumbidos de preparar o reino do bem que Jesus anunciou. Daí a necessidade de que a ninguém seja possível interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei toda de amor e de caridade.”

 Humberto de Campos, na introdução do Livro BOA NOVA, assevera que : “(....) os planos espirituais têm também o seu folclore. Os feitos heróicos e abençoados, muitas vezes anônimos no mundo, praticados por seres desconhecidos, encerram aqui profundas lições, em que encontramos forças novas. Todas as expressões evangélicas têm, entre nós, a sua história viva. Nenhuma delas é símbolo superficial. Inumeráveis observações sobre o Mestre e seus continuadores palpitam nos corações estudiosos e sinceros.

Dos milhares de episódios desse folclore do céu, consegui reunir trinta e trazer ao conhecimento do amigo generoso que me concede a sua atenção. Concordo em que é pouco; mas isso deve valer como tentativa útil, pois estou certo de que não me faltou o auxilio indispensável. (....)”. Humberto de Campos: In: Boa Nova. Prefácio. Na Escola do Evangelho.

 Folclore: Conhecimento, saber, educação, instrução do Povo; Conjunto de costumes, lendas, provérbios, manifestações artísticas em geral, preservado, através da tradição oral, por um povo. In: Dicionário Houaiss.

 IRMÃO X, pseudônimo do espírito HUMBERTO DE CAMPOS, que se comunicara utilizando a mediunidade de Francisco Candido Xavier

 Notas biográficas de Humberto de Campos

Nasceu em Miritiba, Maranhão, em 1886.

Órfão de pai aos 7 anos, infância pobre.

Aos 17 anos, no Pará, começa a trabalhar como jornalista.

Aos 24, primeiro livro: “Poeira”.

Em 1920, torna-se deputado estadual e terceiro ocupante da cadeira de nº 20 da Academia Brasileira de Letras.

Na década de 30: doença, mudança de estilo – de “mordaz e cômico” para “defensor dos menos favorecidos” – cegueira.

Morre em dezembro de 1934.

 Biografia ”Espiritual” de Humberto de Campos

Março de 1935: primeiras mensagens psicográficas: “A Palavra dos Mortos” e “De um casarão do Outro Mundo”.

1937: primeiras obras psicográficas.

1944: processo da viúva de Humberto de Campos contra a FEB.

1945: Utilização do pseudônimo “Irmão X” (Humberto de Campos, quando encarnado, usara o pseudônimo "Conselheiro X").

 Bibliografia do espírito de Humberto de Campos

1. Palavras do Infinito
2. Crônicas de Além-Túmulo
4. Novas Mensagens
5. Boa Nova
6. Reportagens de Além-Túmulo
7. Lázaro Redivivo
8. Luz Acima
9. Pontos e Contos
10. Contos e Apólogos
11. Contos Desta e Doutra Vida
12. Cartas e Crônicas
13. Estante da Vida
14. Relatos da Vida
15. Histórias e Anotações

 Opinião crítica de Agrippino Grieco (crítico literário possuidor de uma biblioteca com mais de 50.000 títulos, chamado “O Leão da Crítica”, amigo pessoal de Humberto de Campos, católico, autor dos livros “Francisco de Assis” e “Poesia Cristã”): Jornal Diário da Tarde. 31 de julho de 1939

"Mas o certo é que, como crítico literário, não pude deixar de impressionar-me com o que realmente existe no pensamento e na forma daqueles dois autores patrícios, nos versos de um e na prosa do outro. Se é mistificação, parece-me muito conduzida. Tendo lido as paródias de Albert Sorel, Paul Reboux e Charles Muller, julgo ser difícil (isso o digo com a maior lealdade) levar tão longe a técnica do "pastiche".

 Opinião crítica de Agrippino Grieco: Jornal Diário Mercantil. 5 de agosto de 1939

"O que não me deixou dúvidas, sob o ponto de vista literário, foi a constatação fácil da linguagem inconfundível de Humberto de Campos na página que li. Como crítico, se, sem que eu conhecesse sua procedência, me houvessem apresentado, tê-la-ia atribuído ao autor de ‘Sombras que sofrem’, ‘Crônicas’, ‘Memórias’, e outras inúmeras preciosidades das nossas letras contemporâneas”.

 Opinião crítica de Agrippino Grieco: Jornal Diário da Noite. 21 de setembro de 1939

“Quanto a mim, não podendo aceitar sem maior exame a certeza de um ‘pastiche’, de uma paródia, tive, como crítico literário que há trinta estuda a mecânica dos estilos, a sensação espontânea de percorrer um manuscrito glorioso. Eram em tudo os processos de Humberto de Campos, a sua amenidade, a sua vontade de parecer austero, o seu tom entre ligeiro e conselheiral. Alusões à Grécia e ao Egito, à Acrópole, a Tirésias, ao véu de Ísis muito ao agrado do autor dos ‘Carvalhos e Roseirais’. Uma referência a Saint-Beuve, crítico predileto de nós ambos, mestre do gosto e clareza que Humberto não se cansava de exaltar em suas palestras, que não me canso de exaltar em minhas palestras. Conjunto bem articulado. Uma crônica, em suma, que, dada a ler a qualquer leitor de mediana instrução, logo lhe arrancaria este comentário: ‘É Humberto puro!’”.

 Declaração de D.Ana de Campos Vera (mãe de Humberto de Campos), após ler a mensagem psicográfica “Carta a minha Mãe”, constante do intróito de Parnaso de Além Túmulo. BARBOSA, Elias. Humberto de Campos e Chico Xavier: a Mecânica do Estilo. Araras, SP, 1ª Edição, IDE, 2005. pág 13.

“(....) o estilo é o mesmo do meu filho”.

sábado, 11 de junho de 2011

OBJETIVOS DE O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - Programa dos dias 12 e 15 de junho 2011

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# EXPLICAÇÃO A RESPEITO DE O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – POR J HERCULANO PIRES

“Este livro foi publicado, inicialmente, com o título de Imitação do Evangelho. Kardec explica o seguinte: Mais tarde, por força das observações reiteradas do Sr. Didier e de outras pessoas, mudei-o para Evangelho Segundo o Espiritismo” . Trata-se do desenvolvimento dos tópicos religiosos de O Livro dos Espíritos, e representa um manual de aplicação moral do Espiritismo.
 
A 9 de agosto de 1863, Kardec recebeu uma comunicação dos seus Guias, sobre a elaboração deste livro. A comunicação assinalava o seguinte: “Esse livro de doutrina terá influência considerável, porque explana questões de interesse capital. Não somente o mundo religioso encontrará nele as máximas de que necessita, como as nações, em sua vida prática, dele haurirão instruções excelentes. Fizeste bem ao enfrentar as questões de elevada moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos”.
 
Em comunicação posterior, a 14 de setembro de 1863, declaravam os Guias de Kardec: “Nossa ação, principalmente a do Espírito da Verdade, é constante ao teu redor, e de tal maneira, que não a podes negar. Assim não entrarei em detalhes desnecessários, sobre o plano da tua obra, que, segundo os meus conselhos ocultos, modificaste tão ampla e completamente”.Logo adiante acentuavam: “Com esta obra, o edifício começa a libertar-se dos andaimes, e já podemos ver-lhe a cúpula a desenhar-se no horizonte”.
 
Estas comunicações, cuja leitura completa pode ser feita em Obras Póstumas, revelam-nos a importância fundamental de O Evangelho Segundo o Espiritismo, na Codificação Kardeciana. Enquanto O Evangelho dos Espíritos nos apresenta a Filosofia Espírita em sua inteireza e O Livro dos Médiuns, a Ciência Espírita em seu desenvolvimento, este livro nos oferece a base e o roteiro da Religião Espírita.
 
Livro de cabeceira, de leitura diária obrigatória, de leitura preparatória de reuniões doutrinárias, deve ser encarado também como livro de estudo, para melhor compreensão da Doutrina. A comunicação do Espírito da Verdade, colocada como prefácio, deve ser lida atentamente pelos estudiosos, pois cada uma de suas frases tem um sentido mais profundo do que parece à primeira leitura.
 
A Introdução e o Capítulo I constituem verdadeiro estudo sobre a natureza, o sentido e a finalidade do Espiritismo. Devem ser estudados atenciosamente, e não apenas lidos. Formam uma peça de grande valor para a verdadeira compreensão da Doutrina.” - JOSÉ HERCULANO PIRES
# OBJETIVOS DE O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - por ALLAN KARDEC
 
“Podemos dividir as matérias contidas nos Evangelhos em cinco partes: os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as profecias; as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja; o ensino moral. Se as quatro primeiras partes têm sido objeto de discussões, a última permanece inatacável. Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva. É o terreno em que todos os cultos podem encontrar-se, a bandeira sob a qual todos podem abrigar-se, por mais diferentes que sejam as suas crenças. Porque nunca foi objeto de disputas religiosas, sempre e por toda parte provocadas pelos dogmas. Se o discutissem, as seitas teriam, aliás, encontrado nele a sua própria condenação, porque a maioria delas se apegaram mais à parte mística do que à parte moral, que exige a reforma de cada um. Para os homens, em particular, é uma regra de conduta, que abrange todas as circunstâncias da vida privada e pública, o princípio de todas as relações sociais fundadas na mais rigorosa justiça. É, por fim, e acima de tudo, o caminho infalível da felicidade a conquistar, uma ponta do véu erguida sobre a vida futura. É essa parte que constitui o objeto exclusivo desta obra.
 
Todo o mundo admira a moral evangélica; todos proclamam a sua sublimidade e a sua necessidade; mas muitos o fazem confiando naquilo que ouviram, ou apoiados em algumas máximas que se tornaram proverbiais, pois poucos a conhecem a fundo, e menos ainda a compreendem e sabem tirar-lhe as conseqüências. A razão disso está, em grande parte, nas dificuldades apresentadas pela leitura do Evangelho, ininteligível para a maioria. A forma alegórica, o misticismo intencional da linguagem, faz que a maioria o leia por desencargo de consciência e por obrigação, como lê as preces sem as compreender, o que vale dizer sem proveito. Os preceitos de moral, espalhados no texto, misturados com as narrativas, passam desapercebidos. Torna-se impossível apreender o conjunto e fazê-los objeto de leitura e meditação separadas.
 
Fizeram-se, é verdade, tratados de moral evangélicos, mas a adaptação ao estilo literário moderno tira-lhe a ingenuidade primitiva, que lhe dá, ao mesmo tempo, encanto e autenticidade. Acontece o mesmo com as máximas destacadas, reduzidas a mais simples expressão proverbial, que não passam então de aforismos, perdendo uma parte de seu valor e de seu interesse, pela falta dos acessórios e das circunstâncias em que foram dadas.
 
Para evitar esses inconvenientes, reunimos nesta obra os trechos que podem constituir, propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de cultos. Nas citações, conservamos tudo o que era de utilidade ao desenvolvimento do pensamento, suprimindo apenas as coisas estranhas ao assunto.

Além disso, respeitamos escrupulosamente a tradução original de Sacy, assim como a divisão por versículos. Mas,em vez de nos prendermos a uma ordem cronológica impossível, e sem vantagem real em semelhante assunto, as máximas foram agrupadas e distribuídas metodicamente segundo a sua natureza, de maneira a que umas se deduzam das outras, tanto quanto possível. A indicação dos números de ordem dos capítulos e dos versículos permite recorrer à classificação comum, caso se julgue conveniente.
 
Esse seria apenas um trabalho material, que por si só não teria mais do que uma utilidade secundária. O essencial era pô-lo ao alcance de todos, pela explicação das passagens obscuras e o desenvolvimento de todas as suas conseqüências, com vistas à aplicação às diferentes situações da vida. Foi o que procuramos fazer, com ajuda dos bons Espíritos que nos assistem.
 
Muitas passagens do Evangelho, da Bíblia, e dos autores sagrados em geral são ininteligíveis, e muitas mesmo parecem absurdas, por falta de uma chave que nos dê o seu verdadeiro sentido. Essa chave está inteirinha no Espiritismo, como já se conversaram os que estudaram seriamente a doutrina, e como ainda melhor se reconhecerá mais tarde. O Espiritismo se encontra por toda parte, na antiguidade, e em todas as épocas da humanidade. Em tudo encontramos os seus traços, nos escritos, nas crenças e nos monumentos, e é por isso que, se ele abre novos horizontes para o futuro, lança também uma viva luz sobre os mistérios do passado.
 
Como complemento de cada preceito, damos algumas instruções, escolhidas entre as que foram ditadas pelos Espíritos em diversos países, através de diferentes médiuns. Se essas instruções tivessem surgido de uma fonte única, poderiam ter sofrido uma influência pessoal ou do meio, enquanto a diversidade de origens prova que os Espíritos dão os seus ensinamentos por toda parte, e que não há ninguém privilegiado a esse respeito
 
Esta obra é para o uso de todos; cada qual pode dela tirar os meios de conformar sua conduta à moral do Cristo. Os espíritas nela encontrarão, além disso, as explicações que lhes concernem mais especialmente. Graças às comunicações estabelecidas, de agora em diante, de maneira permanente, entre os homens e o mundo invisível, a lei evangélica, ensinada a todas as nações pelos próprios espíritos, não será mais letra morta, porque cada qual a compreenderá, e será incessantemente solicitado a pô-la em prática, pelos conselhos de seus guias espirituais. As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do céu que vêm esclarecer os homens e convidá-los à prática do Evangelho.”
 
“Poderíamos dar, sem dúvida, sobre cada assunto, maior número de comunicações obtidas numa multidão de outras cidades e centros espíritas, além dos que citamos. Mas quisemos, antes de tudo, evitar a monotonia das repetições inúteis, e limitar a nossa escolha às que, por seu fundo e por sua forma, cabem mais especialmente no quadro desta obra, reservando para publicações posteriores as que não entraram aqui.
 
Quanto aos médiuns, deixamos de citá-los. Na maioria, em virtude de seus próprios pedidos, e depois, porque não convinha fazer exceções. Os nomes dos médiuns não acrescentariam, aliás, nenhum valor à obra dos Espíritos. Sua citação seria apenas uma satisfação do amor próprio, pela qual os médiuns verdadeiramente sérios não se interessam . Eles compreendem que, sendo puramente passivo seu papel, o valor das comunicações não aumenta em nada o seu mérito pessoal, e que seria pueril envaidecerem-se de um trabalho intelectual a que prestam apenas o seu concurso mecânico.”
- ALLAN KARDEC. O Evangelho Segundo O Espiritismo, Introdução, Item I.


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