Obras de Allan Kardec: todas elas FUNDAMENTAIS.

Obras de Allan Kardec: todas elas FUNDAMENTAIS.
Obras de Allan Kardec: todas elas FUNDAMENTAIS.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

ARTIGO: FIEL OBEDIÊNCIA ÀS LEIS


FIEL OBEDIÊNCIA ÀS LEIS
Autor Fabiano P Nunes

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, ano III, n. 26, Maio de 2011. p.15. 

Na atualidade, observam-se lamentáveis desrespeitos às leis, nas mais variadas esferas da sociedade. Referimo-nos não somente às ações claramente marginais aos códigos legais, mas também aos atos de menor expressão, muitas vezes sutilmente justificado por uma, suposta, nobreza quanto aos seus fins. Sonegação de impostos, desrespeito aos estatutos sociais, trabalho informal, cópias ilegais, desprezo às normas éticas, ofensas à moral e danos ao patrimônio, estão entre os atos censuráveis comuns.

O cristão, mormente os espíritas, jamais deverá se postar à margem da lei, sob qualquer pretexto, ainda que esteja ao açodar das injustiças e penúrias. Urge nunca assentar o espiritismo-cristão na marginalidade legal, em tempo algum.

Como usual, Jesus apresenta-se como probo exemplo de obediência aos códigos legalísticos.

Conquanto importantes pesquisadores tenham defendido a tese de que o Jesus da História teria assumido uma postura revolucionária1, sabe-se que – ao contrário – Ele fora o modelo e guia da integral observância das leis sociais.

Paulo de Tarso, considerado como um dos maiores intérpretes do Evangelho em toda a história cristã, em sua carta aos Filipenses2 assevera que Ele, “tornando-se semelhante aos homens e reconhecido em seu aspecto como um homem, abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, à morte sobre uma cruz.”

Nessa ímpar exegese, o apóstolo dos gentios estabelece três conceitos essências para o entendimento da missão do Cristo na Terra: a humanidade de Jesus, Sua humildade e Sua obediência às leis vigentes. Esta ideia reveste-se de sublime comprobação ao observarmos a integral obediência, e a absoluta resignação, com que Jesus vivenciara as arbitrariedades de Seu processo de prisão, julgamento e execução.

Notáveis pesquisadores têm demonstrado as inúmeras ilegalidades dos julgamentos sofridos por Jesus, não apenas na Corte Suprema Judaica daquele tempo, o Sinédrio, como também na aplicação do Direito Romano exercida por Pôncio Pilatos.

Dentre as ilicitudes cometidas pelo Tribunal Judaico no Seu processo de prisão e julgamento, uma se nos apresenta com especial gravidade: a inexistência de – no mínimo – duas testemunhas de acusação, verazes. Em verdade, essa violação fora extremamente elementar, posto que o livro de Moisés - o Deuteronômio – assim determinava:

“Somente pela deposição de duas ou três testemunhas poder-se-á condenar alguém à morte; ninguém será morto pela deposição de uma só testemunha”3 . 

“Uma única testemunha não é suficiente contra alguém, em qualquer caso de iniqüidade ou de pecado que haja cometido” 4. 

“Se a testemunha for uma testemunha falsa, e tiver caluniado seu irmão, então vós a tratareis conforme ela própria maquinava tratar o seu próximo”5.

À luz dessas chaves ao entendimento contidas no Antigo Testamento, poder-se-á apreender  - em Marcos6 - a seriedade das ilicitudes cometidas pelo referido tribunal hebreu:

“Ora, os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus para matá-lo, mas nada encontravam. Pois muitos davam falso testemunho contra Ele, mas os testemunhos não eram congruentes. Alguns, levantando-se, davam falso testemunho contra Ele”.[...]

[...] “O Sumo Sacerdote, então, rasgando as suas túnicas disse: Que necessidade temos ainda de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia. Que vos parece? E todos julgaram-no réu de morte”.

Dessa forma, houvera uma inequívoca, e voluntária, transgressão da Lei Mosaica por parte do próprio Sinédrio, a qual seria passível da mesma punição imputada ao Humilde Réu.

Para agravar a injustiça da condenação do Carpinteiro de Nazaré, Ele ainda estivera sob o julgamento de outras duas instâncias, a de Herodes Antipas e a de Pôncio Pilatos, que também não encontraram peças judiciais condenatórias robustas, e, por conseguinte, exoraram Sua inocência. Mesmo assim, Jesus fora conduzido à pena capital.

Não obstante Jesus fosse o único Espírito Puro que já pisara a Terra, e porquanto, o mais inocente homem da história, Ele aceitara todos os ajuizamentos - arbitrários, incoerentes e ilegais – sem indignar-se e nem ao menos protestar, mas ao contrário, sendo obediente até o limite de Suas forças, tendo como conseqüência a própria morte por crucificação, vergonhosa e com dores excruciantes, a fim de exemplificar a mais excelente manifestação de fidelidade à Deus, aos amigos, à Causa, assim como às leis da sociedade.

Nunca esqueçamos, pois, que o espírita-cristão deverá ser, sobretudo, um exemplar partidário da boa cidadania, observando fielmente as legislações e as disposições judiciais.

  1. CROSSAN, John D. Jesus, Uma Biografia Revolucionária. Rio de Janeiro, Imago Ed: 1995. 216 p.
  2. BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. Epístola aos Filipenses, cap. 2, vers. 8, p. 2049.
  3. Ibidem. Deuteronômio, cap. 17, vers. 6, p. 279.
  4. Ibidem. Deuteronômio, cap.19, vers. 15, p. 282.
  5. Ibidem. Deuteronômio, cap.19, vers. 18-19, p. 282.
  6. Ibidem. Evangelho Segundo Marcos, cap. 14, vers. 55-64, p.1782
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domingo, 15 de maio de 2011

O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO?


Com a palavra, Allan Kardec - o apóstolo da Terceira Revelação:

O Espiritismo é uma religião?

[...] “Por que, então, temos declarado que o Espiritismo não é uma religião?

Em razão de não haver senão uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; porque desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem.

Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí mais que uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a opinião se levantou.

Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado.

Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.

As reuniões espíritas podem, pois, ser feitas religiosamente, isto é, com o recolhimento e o respeito que comporta a natureza grave dos assuntos de que se ocupa; pode-se mesmo, na ocasião, aí fazer preces que, em vez de serem ditas em particular, são ditas em comum, sem que, por isto, sejam tomadas por assembleias religiosas.

Não se pense que isto seja um jogo de palavras; a nuança é perfeitamente clara, e a aparente confusão não provém senão da falta de uma palavra para cada idéia.

Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas?

Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória.

Qual o sentimento no qual se deve confundir todos os pensamentos?

É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para com todos ou, em outras palavras: o amor do próximo, que compreende os vivos e os mortos, pois sabemos que os mortos sempre fazem parte da Humanidade.

A caridade é a alma do Espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.” [...]

[...] “Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na eqüitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes efuturos, encarnados e desencarnados; considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterno; aceitar corajosamente as provações, em vista de um futuro mais invejável que o presente; praticar a caridade em pensamentos, em palavras e obras na mais larga acepção do termo; esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando toda imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre-exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus.

É o laço que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal.

Com a fraternidade, filha da caridade, os homens viverão em paz e se pouparão males inumeráveis, que nascem da discórdia, por sua vez filha do orgulho, do egoísmo, da ambição, da inveja e de todas as imperfeições da Humanidade.

O Espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso para a sua felicidade aqui na Terra, porque lhes ensina a se contentarem com o que têm.

Que os espíritas sejam, pois, os primeiros a aproveitar os benefícios que ele traz, e que inaugurem entre si o reino da harmonia, que resplandecerá nas gerações futuras.” [...]

Discurso de Allan Kardec na Sessão Anual Comemorativa do dia dos Mortos, Sociedade de Paris, 1o de novembro de 1868

Título: O Espiritismo é uma religião?

Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Ano XI, dezembro de 1868. Tradução Evandro Noleto Bezerra: FEB, 2005; p. 491-5.
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sábado, 19 de março de 2011

Artigo

HUMANIDADE

ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA CULTURA ESPÍRITA - ICEB, ANO II, N. 24, MARÇO DE 2011

Autor: Fabiano Pereira Nunes

A interpretação para a expressão Filho do Homem sempre acarretou muitas controvérsias, e ainda hoje tem sido um dos grandes objetos de discussões nos estudos do Novo Testamento(1). Esse termo aparece 82 vezes no Novo Testamento(2), sendo empregada somente por Jesus nos evangelhos.
Naquele tempo, Filho do Homem não era reconhecido como uma titulação, nem na língua hebraica e nem na aramaica3. Tradutores do grego conjecturaram se não seria ela uma figura de linguagem cotidiana da época, derivada da própria palavra “homem”. John Dominic Crossan3, professor de estudos bíblicos na DePaul University de Chicago, EUA , assevera que tal expressão foi a única alcunha que Jesus relacionou explicitamente a si mesmo, conquanto, para esse eminente pesquisador, usando uma analogia poética, da mesma forma que o inglês emprega as palavras “man” para “homem” e “mankind” para descrever a “humanidade”, o aramaico talvez utilizasse Filho do Homem para assinalar a raça humana. Malgrado, essa tese ainda não encontrou consenso, prosseguindo à mesa de debates.
Allan Kardec - epíteto do cientista e pedagogo francês H.L.D. Rivail – cerca de um século e meio antes dos grandes autores contemporâneos, apresentou o fanal da exegese perfeita para as mais difíceis questões interpretativas do Novo Testamento. Também nesta temática, hermenêutica Kardeciana é ímpar, posto que dimana do próprio Pensamento do Cristo(4).
Em Obras Póstumas(5), o Apóstolo da Terceira Revelação oferece-nos definitivas elucidações sobre as diferenças entre as expressões “O Filho de Deus” e “O Filho do Homem”, assim como sobre a questão das naturezas divina e humana de Jesus. Para clarificar o contexto do termo “O Filho do Homem”, o fundador do espiritismo remete-nos ao livro do profeta Ezequiel. Nele, Deus referir-se-ia a Ezequiel usando tal denominação, com o fito de lhe lembrar que, não obstante o seu excepcional dom de profecia, ele não deixaria de pertencer ao restante da humanidade. Prosseguindo em suas aclarações insofismáveis, ainda no que diz respeito à figura de linguagem “Filho do Homem”, o insigne educador Lionês definiu a mais segura exegese para o termo:

[...] “Jesus dá a si mesmo essa qualificação com persistência notável, pois só em circunstâncias muito raras ele se diz Filho de Deus. Em sua boca, não pode ter ela outra significação, que não lembrar que também Ele pertence à Humanidade” [...]

Igualmente inolvidável é a elucidação de Allan Kardec acerca da resposta6 dos Bons Espíritos sobre “qual é o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e de modelo”, no caso, “Vede Jesus.” O incansável servo de O Espírito de Verdade assevera que “Jesus é para o homem o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode pretender(7) na Terra.” [...]
O Ser Humano Jesus de Nazaré é altamente cativante e inspirador. Deus no-lo ofereceu como um padrão de “humanidade” que podemos vivenciar, sem pretensões. De igual modo, ninguém foi tão humanista e humanitário quanto o dileto filho de Maria e José de Nazaré. Por ora, a "Divindade" de Jesus é ainda para nós inatingível, em face da distância que nos separa da condição de Espírito Puro, nada obstante, Sua "humanidade" é perfeitamente reproduzível, totalmente passível de repetição. Foi para fazer-nos compreender esse ponto de vista que Jesus – modestamente - alcunhou a si mesmo pela nomenclatura O Filho do Homem, em substituição do título do Messias - "O Filho do Deus Altíssimo".
Porquanto, em sublime Projeto Divino, o Filho do Deus Altíssimo converteu-se em Filho do Homem, e, ensinando-nos a viver numa condição humana de plenitude, levar-nos-á a todos – que efetivamente somos filhos dos homens - a alçarmos a condição de “Filhos do Deus Altíssimo”.
Refletindo sobre a extraordinária demonstração de compaixão, humildade e empatia do Nazareno, ressoemos a vida humana de Jesus, jamais olvidando que somente nas linhas morais do Cristo é que atingiremos a Humanidade Real(8).

1. Drane, John. Jesus, sua vida, seu evangelho para o homem de hoje. Tradução de Macintyre.São Paulo: Edições Paulinas, 1982. p. 49
2. Bíblia. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002, 2206 p.
3. CROSSAN, John Dominic. O Jesus histórico: a vida de um camponês judeu mediterrâneo. Trad. André Cardoso. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 1994, 543 p.
4. KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 33. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Segunda parte, p. 307-308.
5. KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 33. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Primeira Parte, Item IX, p. 149-153.
6. KARDEC, Allan. Le Livre Des Esprits. Quatorzième Édition. Paris: Didier Et Cie Libraires-Éditeurs, 1866. Q.625. p. 268.
7. O grifo e a tradução são nossos.
8. Xavier, Francisco C. Fonte Viva. Pelo espírito Emmanuel. 23. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. Cap. 127, p. 287.

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FIEL OBEDIÊNCIA ÀS LEIS
Autor Fabiano P Nunes

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, ano III, n. 26, Maio de 2011. p.15.

Na atualidade, observam-se lamentáveis desrespeitos às leis, nas mais variadas esferas da sociedade. Referimo-nos não somente às ações claramente marginais aos códigos legais, mas também aos atos de menor expressão, muitas vezes sutilmente justificado por uma, suposta, nobreza quanto aos seus fins. Sonegação de impostos, desrespeito aos estatutos sociais, trabalho informal, cópias ilegais, desprezo às normas éticas, ofensas à moral e danos ao patrimônio, estão entre os atos censuráveis comuns.
O cristão, mormente os espíritas, jamais deverá se postar à margem da lei, sob qualquer pretexto, ainda que esteja ao açodar das injustiças e penúrias. Urge nunca assentar o espiritismo-cristão na marginalidade legal, em tempo algum.
Como usual, Jesus apresenta-se como probo exemplo de obediência aos códigos legalísticos.
Conquanto importantes pesquisadores tenham defendido a tese de que o Jesus da História teria assumido uma postura revolucionária1, sabe-se que – ao contrário – Ele fora o modelo e guia da integral observância das leis sociais.
Paulo de Tarso, considerado como um dos maiores intérpretes do Evangelho em toda a história cristã, em sua carta aos Filipenses2 assevera que Ele, “tornando-se semelhante aos homens e reconhecido em seu aspecto como um homem, abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, à morte sobre uma cruz.”
Nessa ímpar exegese, o apóstolo dos gentios estabelece três conceitos essências para o entendimento da missão do Cristo na Terra: a humanidade de Jesus, Sua humildade e Sua obediência às leis vigentes. Esta ideia reveste-se de sublime comprobação ao observarmos a integral obediência, e a absoluta resignação, com que Jesus vivenciara as arbitrariedades de Seu processo de prisão, julgamento e execução.
Notáveis pesquisadores têm demonstrado as inúmeras ilegalidades dos julgamentos sofridos por Jesus, não apenas na Corte Suprema Judaica daquele tempo, o Sinédrio, como também na aplicação do Direito Romano exercida por Pôncio Pilatos.
Dentre as ilicitudes cometidas pelo Tribunal Judaico no Seu processo de prisão e julgamento, uma se nos apresenta com especial gravidade: a inexistência de – no mínimo – duas testemunhas de acusação, verazes. Em verdade, essa violação fora extremamente elementar, posto que o livro de Moisés - o Deuteronômio – assim determinava:
“Somente pela deposição de duas ou três testemunhas poder-se-á condenar alguém à morte; ninguém será morto pela deposição de uma só testemunha”3 .
“Uma única testemunha não é suficiente contra alguém, em qualquer caso de iniqüidade ou de pecado que haja cometido” 4.
“Se a testemunha for uma testemunha falsa, e tiver caluniado seu irmão, então vós a tratareis conforme ela própria maquinava tratar o seu próximo”5.
À luz dessas chaves ao entendimento contidas no Antigo Testamento, poder-se-á apreender - em Marcos6 - a seriedade das ilicitudes cometidas pelo referido tribunal hebreu:
“Ora, os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus para matá-lo, mas nada encontravam. Pois muitos davam falso testemunho contra Ele, mas os testemunhos não eram congruentes. Alguns, levantando-se, davam falso testemunho contra Ele”.[...]
[...] “O Sumo Sacerdote, então, rasgando as suas túnicas disse: Que necessidade temos ainda de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia. Que vos parece? E todos julgaram-no réu de morte”.
Dessa forma, houvera uma inequívoca, e voluntária, transgressão da Lei Mosaica por parte do próprio Sinédrio, a qual seria passível da mesma punição imputada ao Humilde Réu.
Para agravar a injustiça da condenação do Carpinteiro de Nazaré, Ele ainda estivera sob o julgamento de outras duas instâncias, a de Herodes Antipas e a de Pôncio Pilatos, que também não encontraram peças judiciais condenatórias robustas, e, por conseguinte, exoraram Sua inocência. Mesmo assim, Jesus fora conduzido à pena capital.
Não obstante Jesus fosse o único Espírito Puro que já pisara a Terra, e porquanto, o mais inocente homem da história, Ele aceitara todos os ajuizamentos - arbitrários, incoerentes e ilegais – sem indignar-se e nem ao menos protestar, mas ao contrário, sendo obediente até o limite de Suas forças, tendo como conseqüência a própria morte por crucificação, vergonhosa e com dores excruciantes, a fim de exemplificar a mais excelente manifestação de fidelidade à Deus, aos amigos, à Causa, assim como às leis da sociedade.
Nunca esqueçamos, pois, que o espírita-cristão deverá ser, sobretudo, um exemplar partidário da boa cidadania, observando fielmente as legislações e as disposições judiciais.

 
  1. CROSSAN, John D. Jesus, Uma Biografia Revolucionária. Rio de Janeiro, Imago Ed: 1995. 216 p.
  2. BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. Epístola aos Filipenses, cap. 2, vers. 8, p. 2049.
  3. Ibidem. Deuteronômio, cap. 17, vers. 6, p. 279.
  4. Ibidem. Deuteronômio, cap.19, vers. 15, p. 282.
  5. Ibidem. Deuteronômio, cap.19, vers. 18-19, p. 282.
  6. Ibidem. Evangelho Segundo Marcos, cap. 14, vers. 55-64, p.1782.


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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

VONTADE


VONTADE

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, ano II, n. 22, janeiro de 2011, p. 15.

“Mas o Cristo, que realizou milagres materiais, mostrou, por esses mesmos milagres, o que o homem pode quando tem fé, isto é, a vontade de querer, e a certeza de que essa vontade pode se realizar.” (1)

Na vida contemporânea, ser dono de uma vontade vigorosa tem sido assinalado como uma das qualidades emocionais de maior proficuidade para uma vida plena em sucesso.

Define-se vontade(2) como a força interior que impulsiona o indivíduo a realizar algo, com o fito de atingir seus fins ou desejos; ou ainda, ânimo, determinação, firmeza, disposição, empenho, interesse, e zelo.

Indubitável, para superarmos todas as vicissitudes faz-se condição essencial a tenacidade e a perseverança. E como usual, em Jesus encontraremos o modelo de vontade e determinação mais diamantino, e também o mais inteligível e acessível para nossa vida humana

Não casualmente, por tal razão Allan Kardec asseverou3 que “para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a humanidade pode pretender na Terra”.(4)

O Amigo Fiel foi incansável na tarefa de ensinar a arte de viver. Em toda a Sua vida apreenderemos – de forma apaixonante - o sentido de uma existência impulsionada por decidido intuito de atingir objetivos, mesmo sob as condições mais tormentosas.

Conquanto, ao findar Seu ministério de amor e caridade na existência planetária, O Ungido de Deus apresenta-nos Sua derradeira lição acerca do uso da vontade vigorosa para a superação dos óbices. Jesus fora levado a uma condenação de morte infamante e cruel - a crucificação, pena aplicada exclusivamente aos soldados romanos desertores e aos mais vis criminosos – sofrendo, pois, as dores mais acerbas.

Pesquisadores de Rochester, Minn, EUA(5), desvelaram que Ele suportara a ignominiosa aplicação do flagrum, açoitamento que era a preliminar legal de todas as execuções romanas. O instrumento usado era um pequeno chicote tipo flagelum, com franjas de couro trançado de variadas larguras, cujas pontas continham pequenas bolas de ferro e pedaços de ossos de ovelha afiados, presos em intervalos. Para o açoitamento, o homem era despido e suas mãos amarradas num poste. As costas, nádegas e pernas eram açoitadas por 2 soldados, ou por 1, que alternava a posição. A severidade da flagelação dependia da disposição que os carrascos pretendiam deixar a vítima: desde apenas um pequeno colapso até a morte. Durante, e depois, do flagelamento os soldados sempre insultavam suas vítimas. Atesta-se que no Pretório Jesus foi severamente chicoteado. Apesar da severidade do flagelo não ser discutida nos quatro relatos evangélicos, está implícita em uma das epístolas de Pedro (I Pedro 2.24).

Os soldados romanos(5), repetidas vezes, golpearam as costas de Jesus com toda a força, porquanto, as bolas de ferro causaram grave traumatismo, ademais, as tiras de couro e os ossos, cortaram Sua pele, com lesões subcutâneas e musculares. Por conseguinte, as lacerações profundas produziram – além do traumatismo grave - intensa hemorragia, possivelmente até em órgãos internos. Acredita-se que o trauma, a dor e a perda de sangue devam ter levado a um estado circulatório de colapso definido como choque. Desta forma, mesmo antes de ser efetivamente crucificado, a condição física de Jesus era, no mínimo, crítica, fato esse que explicaria Sua desencarnação tão rápida na crucificação, haja vista que o condenado costumava levar dias para morrer em asfixia no madeiro.

Malgrado a condição clínica muito grave(5), em vez de imprecar ou ceder, Jesus não hesita em Sua coragem e obstinação, mas ao contrário, O Médium de Deus oferece ao mundo mais uma preciosa lição de ânimo, e robusta determinação: carrega o patibulum da cruz - a haste horizontal de madeira onde os punhos eram pregados no processo de crucificação, pesando entre 34 a 57 kg - do pretorium até o Gólgota, por mais de 600 metros, sem blasfemar, e nem sequer queixar-se. Dessa forma, O Mestre Amorável, ao ser pregado à cruz, transformara essa morte infamante numa epopéia inolvidável, exemplificando o amor, a fidelidade aos amigos e aos ideais, o perdão incondicional, e – de maneira especial – nos ensinou sobre como sustentar a firme disposição para lograrmos os fins anelados, ainda que nas condições mais ásperas. Tenhamos, pois, “a vontade de querer, e a certeza de que essa vontade pode se realizar.” (1)

1. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 1. Ed., Rio de Janeiro, CELD Ed: 2008. Cap.XIX, item 12.

2. HOUAISS, Antonio; Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, versão 1.0. Editora Objetiva Ltda. 2009.

3. Nota: As primeiras edições francesas de O Livro dos Espíritos, assim como as demais obras de Allan Kardec, podem ser lidas no site “Google Livros”, através da URL .

4. KARDEC, Allan. Le Livre Des Esprits. Quatorzième Édition. Didier Et Cie Libraires-Éditeurs, Paris: 1866. Q.625. p. 268.

5. EDWARDS, W. D; GABEL, W. J.; HOSMER, F. E. : On The Physical Death of Jesus Christ. In: JAMA, The Journal of The American Medical Association (Trabalho científico publicado pelo Departamento de Patologia da Mayo Clinics, Rochester, Minn, EUA). USA. 1986, mar 21, vol 255, n. 11, p 1455 – 1464.




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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

OBRAS DA CODIFICAÇÃO KARDECIANA - EDIÇÕES EM FRANCÊS - DOWNLOAD

Clique no nome do livro, em amarelo, para baixá-lo.






“EU, PORÉM, VOS DIGO”



“EU, PORÉM, VOS DIGO”

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, ano II, n. 21, dezembro de 2010, p. 15.


Notáveis pesquisadores têm defendido a tese de que o “Jesus Histórico” teria assumido uma postura revolucionária 1, face às práticas correntes na sociedade religiosa do Seu tempo.



Realmente, para vários estudiosos das ciências históricas, a análise das assertivas contidas nos Evangelhos desvelaria a atitude de um religioso Judeu do Mediterrâneo 2 em antítese com os preceitos judaicos vigente à Sua época, que, por conseguinte, poder-se-ia considerar como um sedicioso.


Por exemplificação, observa-se na Pregação do Monte, conforme descrita no capítulo cinco de O Evangelho Segundo Mateus, um inequívoco intuito de desconstruir um pensamento vigente, substituindo-o por um conceito totalmente novo. O Mestre Amantíssimo empregara repetidas vezes a expressão: “Ouvistes que foi dito aos antigos (...)”, acompanhada, a seguir, de uma citação dos Livros Mosaicos; e concluindo a elocução, conduzira o pensamento dos ouvintes a uma nova interpretação da Lei Divina, ao aplicar expressão “Eu, porém, Vos digo (...)”. Por tal razão, àquele tempo Jesus fora perseguido pelas autoridades do Templo de Jerusalém como um antagonista das Leis de Moisés, conquanto Seus discursos fariam frontal contradita ao Pentateuco Mosaico.


Escrevera Moisés no Torá:


Êxodo, 21:24-25; olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.


Levítico, 24:19-21; Quando também alguém desfigurar o seu próximo, como ele fez, assim lhe será feito: quebradura por quebradura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará. Quem, pois, matar um animal restituí-lo-á; mas quem matar um homem será morto.


Nada obstante, pregara Jesus no Monte das Beatitudes:


Mateus, 5:38 -39; Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra.


Mateus 5:43-44; Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.


Em a perspectiva histórica, torna-se, pois, melhor compreensível o porquê da não aceitação - pela Religião Judaica - da condição Messiânica de Jesus.


Conquanto, dezenove séculos após, Allan Kardec, pseudônimo do eminente cientista e pedagogo francês Hipollyte Léon Denizard Rival - Apóstolo fiel e incansável de O Espírito de Verdade - elucida, definitivamente, tal problemática, em admirável hermenêutica 3:


“[...] A moral ensinada por Moisés era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos a quem ela estava destinada a regenerar. Esses povos, semi-selvagens quanto ao aperfeiçoamento da alma, não teriam compreendido que se pudesse adorar a Deus sem a realização de holocaustos, nem que fosse preciso perdoar a um inimigo. A inteligência deles, notável sob o ponto de vista da matéria e mesmo sob o das artes e das ciências, era muito atrasada em moralidade, e não seria convertida sob o domínio de uma religião inteiramente espiritual. Era-lhes necessária uma representação semi-material, como a que a religião hebraica lhes oferecia. Os holocaustos falavam aos seus sentidos, enquanto a idéia de Deus falava ao seu espírito. O Cristo foi o iniciador da moral mais pura, mais sublime; da moral evangélico-cristã que deve renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos; que deve fazer jorrar de todos os corações humanos a caridade e o amor ao próximo, e criar, entre todos os homens, uma solidariedade comum; enfim, de uma moral que há de transformar a Terra, e dela fazer uma morada para espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, à qual a Natureza está submetida, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca da qual Deus se utiliza para fazer a humanidade avançar. [...]”3


Outrossim, deveras relevante a perspectiva descortinada pela ciência médica, em transcendente aliança com a Doutrina Espírita. Em artigo publicado na revista Psychological Science 4, pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, observaram que orar pelo bem do cônjuge auxilia na disposição por perdoá-lo, sobretudo quando a oração for feita na iminência de conflitos. No trabalho científico, as pessoas deveriam, em primeiro lugar, fazer uma descrição da pessoa por quem fariam a oração. Depois de apenas uma oração, os voluntários se mostraram mais dispostos a compreender o ponto de vista do outro e aceitar suas desculpas, em claro processo de empatia. O estudo científico descreve, do mesmo modo, um segundo experimento no qual os voluntários fizeram orações diárias por um amigo próximo durante quatro semanas, também demonstrando o poder apaziguador da prece.


Ao fanal da ciência e da Exegese Kardeciana, apreenderemos, porquanto, que Jesus não fora um subversor das Escrituras Sagradas, mas, ao contrário, notabilizara-se como O Mais Perfeito Intérprete das Leis Divinas, na história da civilização humana.


1. MEIER, John P. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus histórico. Vol. I. Rio de Janeiro, Imago Ed: 1993.


2. CROSSAN, John D. Jesus, Uma Biografia Revolucionária. Rio de Janeiro, Imago Ed: 1995.


3. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 1. Ed., Rio de Janeiro, CELD Ed: 2008. Cap.I, item 9.


4. Comprovação do poder pacificador da oração. In: Revista Mente e Cérebro, edição online. Março de 2010. Capturado de em 01 de outubro de 10.




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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

RELACIONAMENTO CONJUGAL


RELACIONAMENTO CONJUGAL

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, ano II, n. 19, outubro de 2010, p. 15.

Dentre os sinais que desvelam a transcendente Inteligência dos ensinos de Jesus, uma se nos apresenta de ímpar baliza: a sua praticidade e o seu pragmatismo, para todas as épocas da civilização cristã.

Por estalão, encontraremos as preciosas lições acerca do relacionamento conjugal.

Na sociedade hebreia daquele tempo, a mulher ocupava uma posição de significativa inferioridade, não apenas nas esferas social e religiosa, como também na familiar.

Era prerrogativa do homem iniciar um processo de divórcio, o qual ele poderia exercer baseado em considerações que, hoje, pareceriam frívolas e dignas de riso. Descontente com a esposa, ao homem era facultado dispensá-la sem nenhuma compensação, dando-lhe carta de divórcio.

Tal disposição era fundada em inúmeros Livros Mosaicos, como por exemplo, o Deuteronômio (1), que diz: “Quando um homem tiver tomado uma mulher e consumado o matrimônio, mas esta, logo depois, não encontra mais graça aos seus olhos, porque viu nela algo inconveniente, ele lhe escreverá então uma carta de divórcio, e a entregará, deixando-a sair de sua casa em liberdade.”.

Em Jesus o povo hebreu encontrara genial discernimento na exegese do Antigo Testamento, através de sua real interpretação, à luz da Lei de Justiça, Amor e Caridade.

Sobre a mesma questão da relação entre cônjuges, narra-nos o evangelista Mateus (2), que: “Quando Jesus terminou essas palavras, partiu da Galiléia, e foi para o território da Judéia, além do Jordão. Acompanharam-no grandes multidões, e ali as curou. Alguns fariseus aproximaram-se dele, querendo pô-lo à prova. E perguntaram: É lícito repudiar a sua própria mulher por qualquer motivo? Ele lhes Respondeu: Não lestes que desde o princípio o Criador os fez homem e mulher?E que disse por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve separar. Eles, porém, objetaram: Por que, então, ordenou Moisés que desse a carta de divórcio quando a repudiasse? Disse-lhes ele: Pela dureza de vossos corações, Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas não foi assim desde o princípio”.

Apreendendo com as elucidações do Mestre Nazareno, entenderemos que Moisés legislara seus códigos de forma rígida, por vezes até intransigente e inumano, em função dos graves problemas sociais, culturais e religiosos que enfrentara com seu povo, ao longo de 40 anos de peregrinação no deserto, conquanto, decorridos mais de 1250 anos, essas leis tornaram-se grave peso para diversos grupos – como as mulheres, os doentes, os portadores de deficiências, os hansenianos - levando-os à condição de vulnerabilidade social. Malgrado, com Jesus uma nova perspectiva era desvelada para a Lei: a da igualdade entre todos e da justiça social. Mormente, no que tange a união matrimonial, o consórcio também se elevara em patamares nunca antes logrados.

O Rabboni, Mestre Superior, demonstrara que o enlace nupcial tinha procedência Divina, e como tal, deveria ser vivido santamente, intensamente e jubilosamente, em doação recíproca de amor e respeito. Tal ponto de vista era totalmente original para aquela Nação, e sublevava os padrões culturais da época.

Dezenove séculos depois das inolvidáveis luzes esparzidas pelo Cristo de Deus sobre o matrimônio, Seu devotado mensageiro – Hippolyte Léon Denizard Rivail, Allan Kardec – ofereceria ao mundo o mais admirável e didático estudo sobre o desponsório, o qual está contido em todo um capítulo de O Evangelho Segundo O Espiritismo (3), intitulado “Não Separeis O Que Deus Juntou”, promovendo integral harmonização das legislações – passada, presente e futura – com a moral cristã e a Vida Porvindoura.

Igualmente, deveras relevante a perspectiva descortinada pela ciência médica, em transcendente aliança com a Doutrina Espírita. Alguns estudos científicos (4) demonstraram que tendemos a criar laços afetivos com pessoas afáveis, sensíveis e atenciosas. Sentimentos de amor podem surgir com especial rapidez quando alguém adota um comportamento empático para se adaptar às nossas necessidades. O perdão também cria vínculos e cumplicidade.

Por conseguinte, através das claridades do Evangelho de Jesus, magnificadas pelas chaves oferecidas pela Codificação Kardeciana, é possível apreender, com facilidade, o sentido e o significado da união do casamento segundo a Lei Imutável de Deus, norteando, até mesmo, a lei mutável dos homens e a ciência médica.

1. DEUTERONÔMIO. O Antigo Testamento. In: Bíblia de Jerusalém. Português. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. Deuteronômio, cap. 24, ver. 1, p. 287.

2. MATEUS, O Evangelho Segundo. O Novo Testamento, in: Bíblia de Jerusalém. Português. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. Mateus, cap. 19, vers. 1 - 6, p. 1738.

3. KARDEC, Allan O Evangelho Segundo o Espiritismo.Tradução de Evandro Noleto Bezerra.Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. XXII.

4. O segredo do casal feliz: compartilhar alegrias. In: Revista Mente e Cérebro, edição 212, setembro de 2010. Disponível na URL http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/o_segredo_do_casal_feliz_compartilhar_alegrias.html

 
 
 
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sábado, 18 de dezembro de 2010

Refletindo Sobre o Significado do Natal

Programas de 19 a 29 de dezembro de 2010

Reflexões sobre o Natalício de Jesus


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sábado, 20 de novembro de 2010

TOQUE EM JESUS


"TOQUE EM JESUS"

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, Ano II, n. 15, Junho de 2010.


Autor: Fabiano Pereira Nunes

Afirmam os estudiosos que a postura de Jesus, face às determinações das leis hebraicas vigentes na Província da Judéia, trazia grande indignação nas autoridades do Templo de Jerusalém, as quais constituíam a Corte Suprema do povo Hebreu. Sob determinado ponto de vista, as ações do Carpinteiro de Nazaré sublevavam as Leis Mosaicas.

O livro de Moisés, Levítico1, definia – especialmente em seus capítulos 11 a 15 - quais as condições que tornariam um hebreu “imundo”, isto é, “impuro”, bem como as sanções aplicáveis nesses casos. Destarte, muitas condições de “imundice” tornavam expressamente proibitivo qualquer tipo de contato físico com as pessoas “limpas” ou puras, como por exemplo: "Se alguém, sem se aperceber tocar a imundícia de um homem, seja qual for a imundícia com que este se tornar imundo, quando o souber será culpado", Levítico 5:3; "Também aquele que tocar na carne do que tem o fluxo[sangue], lavará as suas vestes, e se banhará em água, e será imundo até a tarde", Levítico 15:7; "Mas a mulher, quando tiver fluxo, e o fluxo na sua carne for sangue, ficará na sua impureza por sete dias, e qualquer que nela tocar será imundo até a tarde", Levítico 15:19.

Aqueles que se tornassem “imundos”, deveriam cumprir regras de purificação, ou como no caso dos leprosos, serem afastados do convívio social, tendo seus pertences e residências queimados.

Na tradição das leis vigorantes ao tempo de Jesus, seria totalmente inaceitável que as pessoas “imundas” tocassem um Rabi – representante da pureza no sentido mais profundo da crença religiosa – culminando os casos mais graves à pena de morte para os que assim a infringissem.

Todas as leis são passíveis de interpretação, e Jesus trazia a verdadeira exegese das Escrituras Sagradas.

Por tal razão, fora confundido como um subversivo das leis, quando - em verdade - delas era o fiel cumpridor e o mais perfeito intérprete.

Contrariando os preceitos ortodoxos da época, o Rabi do Amor era grandemente tocado pelos portadores de condições para a “impureza”, visto que eram justamente os “imundos” os maiores necessitados de seu toque afetuoso1: "E toda a multidão procurava tocar-lhe; porque saía dele poder que curava a todos”, Lucas 6:19; "Perguntou Jesus: Quem é que me tocou? Como todos negassem, disse-lhe Pedro: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem, Mas disse Jesus: Alguém me tocou; pois percebi que de mim saiu poder", Lucas, 8:45-6.

Não por acaso era chamado pelo povo de Rabboni, que significa meu Mestre Superior2.

Consentâneo, uma das mais comuns manifestações de sentimentos é o toque físico.

Em pesquisa3 publicada na revista Nature Neuroscience, cientistas afirmaram que o toque caricioso possui propriedades terapêuticas. Ele aciona receptores táteis na pele, deflagram sinais elétricos que percorrem as redes neurais, e informam o cérebro de que nossa pele está sendo acariciada. Tal transmissão ocorre em fibras neurais especializadas. A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e pode explicar por que o toque carinhoso consegue diminuir a intensidade da dor física. Por intermédio de uma técnica conhecida como microneurografia, os pesquisadores “seguiram” esses impulsos no braço de voluntários até os centros cerebrais relacionados ao prazer, e observaram também que, quanto maior sua freqüência – proporcional à intensidade do afago –, maior a sensação de prazer relatada pelos participantes. Admirável, essas fibras especializadas, uma vez estimuladas, são capazes de atenuar sinais dolorosos originados em outras partes do corpo.

De forma cativante, Jesus não apenas era largamente tocado, como também com grande generosidade afagava aos intocáveis “imundos”, quase que continuamente1: "Jesus, pois, estendendo a mão, tocou-o, dizendo, - Quero; sê limpo. No mesmo instante ficou purificado da sua lepra", Mateus 8:3; "E tocou-lhe a mão, e a febre a deixou; então ela se levantou, e o servia", Mateus, 8:15; "E Jesus, movido de compaixão, tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista, e o seguiram", Mateus, 20:34; "Responderam-lhe os seus discípulos,- Vês que a multidão te aperta, e perguntas: Quem me tocou?", Marcos, 5:31; "Jesus, pois, tirou-o de entre a multidão, à parte, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e, cuspindo, tocou-lhe na língua", Marcos, 7:33; "Jesus, pois, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero; sê limpo. No mesmo instante desapareceu dele a lepra", Lucas, 5:13.

É preciso desconstruir o nosso modelo mental de um Cristo distante, inacessível, puro demais para ser tocado. Jesus se fez “homem” justamente para aproximar-se de nós, ser imitado, e, sobretudo, ser tocado por nós.

Em nosso intercâmbio íntimo com o Rabboni, seja pela prece, seja pelo trabalho na caridade, sintamo-nos encorajados em tocá-Lo, afagá-Lo, abraçá-Lo, posto que Ele assim o deseja, e de igual modo sempre retribuir-nos-á com Seu abraço reconfortante, e seu afago donde esparzi “grande poder que cura a todos”.

1. A Bíblia Sagrada, traduzida em português por João Ferreira de Almeida. 2ª edição. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

2. Oliveira, Therezinha. Estudos Espíritas do Evangelho. 6a Edição. Campinas, SP: Editora Allan Kardec, 2005. P. 154.

3. Toque afetivo ajuda a diminuir a dor física. Revista Mente e Cérebro, Ano XX, n 198, p. 22. Disponível na URL http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/toque_afetivo_ajuda_a_diminuir_a_dor_fisica.html.



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INOVAÇÃO


"INOVAÇÃO"

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, Ano I, n. 02, Maio de 2009.

Autor: Fabiano Pereira Nunes

O mundo hodierno apresenta como qualidade das mais valiosas para o indivíduo a capacidade de inovar. Nessa visão contemporânea, ao mantermos um espírito de busca por novos caminhos, sempre procurando fazer algo de forma inusitada, tornar-se-ia possível avançar mais rapidamente pela vereda do progresso.

Igualmente, o espírito inovador também foi estudado pelos pesquisadores do campo da “Inteligência Emocional”, que apontaram ser a capacidade de inovação uma das competências emocionais mais relevantes para o sucesso, posto que faculta ao indivíduo sentir-se à vontade e aberto diante de novas idéias, novos enfoques e novas informações, condição imprescindível para a construção de produtivas relações interpessoais nas esferas profissional, social e familiar.

Inequívoco, Jesus desvelou-nos uma alta capacidade de inovar, na Sua vida de relação e na Sua tarefa messiânica. Para exemplificar isso, observemos o grupo que compôs seu discipulado.

Os publicanos constituíam uma classe altamente odiada pelo povo Hebreu, pois eram os funcionários à serviço do Império Romano, nas Províncias dominadas, responsáveis pela arrecadação de impostos, por isso mesmo, eram considerados altos traidores da Nação Hebreia. Ademais, nas alfândegas, pagavam-se exorbitantes impostos sobre o uso da terra, sobre o peixe pescado, sobre os produtos manufaturados, e sobre os produtos que circulavam entre as cidades, no entanto, o fruto dessa pesada arrecadação era direcionado à sede do Império Romano, e aos governos das tetrarquias da Província da Judéia, além dos percentuais faturados para o enriquecimento ilícito dos próprios publicanos, aumentando, assim, a indignação e a revolta contra esses rendeiros públicos. O pagamento era infligido à força dos soldados do Império, que não raramente violavam as residências dos devedores para fazer o arresto de seus bens, e sua prisão. Para agravar a situação, esse pagamento de impostos constituía uma afronta às Leis das Escrituras Sagradas: constituía, por conseguinte, de uma dupla traição. Porquanto, por vezes eles eram mais odiados que aos próprios dominadores de Roma.

Entre as classes que combatiam tais funcionários estavam os zelotes, grupo radical nacionalista que se empenhava no enfrentamento armado contra os traidores da causa judaica. Por isso, eram perseguidos pelo Poder Romano como sicários e assassinos, realmente, estabeleciam um juramento de esfaquear, no meio da multidão, todo judeu que estivesse associado aos romanos. Conquanto, os publicanos estavam entre os mais procurados pelos zelotes para sofrer tal atentado à vida. Havia, pois, um ódio mútuo.

De forma inusitada, apresentando ao mundo uma capacidade inovadora admirável, Jesus acolheu em seu grupo de 12 apóstolos dois representantes dessas duas categorias de inimigos mortais. Eram eles: Levi, o publicano de Cafarnaum; e Simão, chamado “O Zelote” (era outro discípulo com nome Simão, além de Simão Pedro).

Conforme nos revela o espírito Humberto de Campos, no capítulo 5 do livro “Boa Nova”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, “Levi continuava nos seus trabalhos da coletoria local, enquanto Judas prosseguia nos seus pequenos negócios, embora se reunissem diariamente aos demais companheiros.” Apreende-se, pois, que Levi permaneceu na sua função de publicano, o que torna mais assombroso e desconcertante o padrão inovador de Jesus, ao manter como irmãos dois discípulos em posições tão antagônicas.

Não seria equivocado imaginar as intensas pressões que Simão, O Zelote, também poderia ter sofrido de seus companheiros de partido, para que efetivasse sua promessa de retirar a vida do publicano.

Não obstante, mais do que discípulos-irmãos, Jesus os transforma em amigos fiéis e devotados, desconsiderando a extremista opção religiosa de Simão (os Zelotes, doutrinariamente, se alinhavam com os fariseus) e os conflitantes deveres profissionais de Levi.

Aprendamos, pois, em Jesus a renovar nossas posições e atitudes, criando modelos inovadores e imaginativos de relação interpessoal e de labores, sempre alicerçados no amor incondicional ao próximo que Ele nos demonstrou de forma tão prática e inteligível.

Um abraço fraternal do seu amigo Fabiano P Nunes.




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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

JESUS: EXTRAORDINÁRIA COMBINAÇÃO DE CORAGEM E COMPAIXÃO

JESUS: EXTRAORDINÁRIA COMBINAÇÃO DE CORAGEM E COMPAIXÃO

Artigo publicado na "Revista Despertar Espírita", ano V, n.60, junho de 2008.

A hanseníanse - não obstante já ser uma enfermidade curável – ainda prossegue envolta em muitos preconceitos e medos. No Brasil, até a década de 70, os portadores de hanseníase foram obrigados a viver em “colônias” de isolamento.

Tal carga de temor remonta eras ancestrais. No Velho Testamento, aparece, equivocadamente, sob a denominação de “lepra”. No livro de Moisés - O Levítico - encontramos Leis específicas para a vida dos portadores da doença de Hansen, sobretudo em seus capítulos 13 e 14. Nesses textos, deparamo-nos com a terminologia “imundos”, cujo sinônimo seria “impuro”, para os portadores da chamada “lepra”. Os Sacerdotes do Templo de Jerusalém possuíam autoridade coercitiva para examinar os hebreus que fossem suspeitos de portar as lesões lepromatosas na pele, e ao constatarem a presença da “lepra” os declaravam publicamente como “imundos”, determinando a expulsão desses hansenianos de seus lares, a destruição e queima de seus pertences, a adoção de uma aparência característica com vestimenta de maltrapilhos, com cabelos desgrenhados. Também estariam obrigados a proclamar em altas vozes a própria condição de “imundo”, tudo isso para garantir que não fossem tocados por qualquer pessoa, e que não houvesse aproximação alguma. Além disso, deveriam guardar distância em vários côvados (côvado era uma medida de distância, do inicio do cotovelo até o fim do dedo médio) das pessoas “limpas” sendo obrigados a viver fora dos muros das cidades, convivendo somente junto aos outros “imundos”.

Notadamente, as leis Mosaicas, como aquelas que tratam das condições que tornavam uma pessoa “imunda”, poderiam parecer discriminatórias e até desumanas, se analisadas isoladamente e fora do seu contexto sócio-cultural da época - não obstante - quando estudadas sob a óptica das ciências, como a moderna infectologia médica, seriam consideradas como medidas que serviram ao controle sanitário de gravíssimas doenças infecto-contagiosas. Por isso impunham regras de isolamento, sem as quais haveria a explosão de epidemias com altas taxas de contagiosidade.

Por outro lado, numa análise psicológica, poderíamos considerar que aquele povo escondia seus terríveis medos acerca da “lepra” usando essas leis como escudo, justificando de si para consigo, e para com a sociedade, atos que transbordavam preconceito, discriminação, e – sobretudo- aversão.

Felizmente, veio Jesus como O Amigo Verdadeiro dos excluídos e discriminados. Sua coragem e intrepidez marcaram de forma inapagável todos os seus passos. Através de exemplos de vida que reuniam uma extraordinária combinação de destemor, caráter e altruísmo, pregou de forma inolvidável, e estabeleceu uma nova abordagem ao problema da doença e dos doentes: a compaixão ativa, que de forma diferente da compaixão passiva transcende a esfera puramente emocional e supera todos os óbices, para mudar a vida dos desafortunados.

Com ímpar bravura, mantinha uma constante proximidade com os hansenianos, e com todos os considerados “imundos”, fato esse altamente surpreendente para os padrões religiosos da época, e altamente perturbador para aqueles que esperavam um Messias com as prerrogativas de um rei conquistador, pois além de romper as barreiras do preconceito para com esses “impuros”, de tratá-los com especial ternura e piedade, e de colocá-los na condição de amigos, se lhes aproximava fisicamente para acolhê-los, tocá-los e acariciá-los. Mantinha, contudo, completa obediência às leis de Moisés, demonstrando, por outro lado, sua correta interpretação à luz da Sua doutrina de amor.

Por exemplo, em Mateus (8:1 a 4): “Ora, descendo ele do monte, grandes multidões o seguiram. E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo”. Porquanto, a partir de ações grandemente impregnadas de compaixão ativa, que causaram um profundo impacto nos campos mental, emocional e espiritual daqueles enfermos, produziu curas prodigiosas, não só nos seus corpos adoecidos, como também nas suas almas enfermas e solitárias.

Destarte, O Mestre Devotado persiste fiel aos Seus amigos, levantando os decaídos e recuperando-os de suas mazelas, e permanentemente nos convida ao trabalho, para que também sejamos os braços e as mãos que servirão de instrumentos para que Ele prossiga tocando a humanidade, limpando-a de sua “lepra” moral, urgindo para isso que adotemos para nós os padrões de coragem e comiseração que O Amigo Incansável diariamente viveu e exemplou.

Fraternal abraço, Fabiano Pereira Nunes




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